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Monja francesa Kankyo Tannier lança livro sobre o poder transformador do silêncio

A monja francesa Kankyo Tannier lança livro sobre o poder transformador do silêncio e ensina como incluir pequenos rituais de paz na rotina.

Autora do recém-lançado “A Magia do Silêncio” (Ed. Sextante), a monja francesa Kankyo Tannier é considerada a “nova voz do budismo” – uma voz moderna e bem-humorada que fala sobre essa
milenar filosofia de uma forma leve e fácil. Kankyo conversou com a 29HORAS e explicou por que é importante aplicar pequenos silêncios no nosso dia a dia. Sem que, para isso, a gente tenha que
fugir para um retiro, por exemplo. “Entre um voo e outro, em casa ou na frente do computador, podemos buscar o nosso silêncio interior”, diz a monja, que escreve um blog no Huffington Post e faz oficinas de meditação em diversos lugares do mundo. A seguir, alguns trechos da entrevista:

Qual é o maior poder do silêncio?

O silêncio interior, essa é a chave. Ele nos permite ficar em paz mesmo em meio ao barulho, durante as crises emocionais ou em situações tensas. Para conseguir isso, a gente precisa se conectar consigo mesmo. Quando a gente se conecta consigo mesmo, a gente se encontra inteiramente, o positivo com o negativo.

Como se conectar com o silêncio em uma cidade como São Paulo, com tanta poluição sonora, visual e ambiental?

O silêncio interior pode ser praticado no meio da floresta, mas também na cidade de São Paulo. A gente pode fazer, por exemplo, um exercício que é muito simples: ouvir os barulhos que estão ao nosso redor. Esse exercício eu chamo de ‘silêncio das palavras’: a gente se cala e simplesmente ouve. A vantagem desse exercício é que nos reconectamos com nós mesmos em apenas um segundo.

Fale um pouco sobre a “onipresença das telas”, que você cita em seu livro.

Hoje vivemos um fascínio pelas telas de todo tipo. De manhã até a noite, nossos olhos são capturados por imagens de redes sociais, de publicidade, de movimentos nas ruas. A gente pode reaprender a dominar o nosso olhar. E podemos dizer que a aprendizagem essencial para o mundo moderno é o controle dos olhos. Um exercício muito simples e que pode ajudar nesse processo é lançar o olhar para o solo durante um minuto ou dois. Com essa prática também será possível aprender sobre o silencio interior.

Achei muito interessante quando você fala sobre “voltar para casa”, para o corpo. A consciência mental e espiritual se entrelaça com a consciência corporal?

Essa pergunta é superimportante. No budismo e em outras formas de espiritualidade, dizemos que o momento presente é o corpo. Na verdade, o corpo está sempre presente, é o nosso mental que escapa. Muitos exercícios têm como objetivo voltar ao corpo. É uma maneira que podemos chamar de concreta e mística, porque o centro do mistério está no corpo. A atividade que faço diariamente é a meditação zen, uma prática corporal, e que aconselho para todos.

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